O dr. Santana fartou-se de insistir na
agenda da modernidade: casamento de homossexuais, eutanásia, aborto, clonagem, e sei lá mais o quê.
A primeira impressão é, claro, que o dr. Santana não faz a mínima ideia do que são essas coisas. Colocar no mesmo barco uma instituição civil (o casamento) um valor fundamental (a vida: é ou não inviolável?) e uma tecnologia (a clonagem), ou é anedota ou é parvoíce. Ou ignorância pura e simples. Inclino-me para a última.
Que as ponha juntas. Pronto. A gente entende. O Bloco põe, as Docas põem, o dr. Santana põe.
Mas dizer depois que não tem opinião sobre esses assuntos? Que é preciso deixar «a discussão correr», formar-se «um consenso» na «sociedade»?
Mas então - impõe-se a pergunta - porque é que falou deles?
(Pergunta retórica. É evidente porquê - porque
o Bloco põe, as Docas põem, o dr. Santana põe.)
O dr. Santana põe, o delírio impõe-se: ficamos a saber que, «por ele», tanto faz. Tanto faz! Ele «admite» o casamento entre homossexuais. Ele «admite» o aborto. Os clones. Os travestis. O fado corrido. Até - imaginem! - a eutanásia.
Ele admite tudo, desde que seja moderno e que, claro, a «sociedade» atinja «um consenso».
A sorte do dr. Santana é que o eleitorado dele (o que resta) não leva a sério aquelas coisas. Parte do princípio que é delírio do homem. Ruído.
O que diz muito sobre a imagem que até os apoiantes têm do dr. Santana - e, infelizmente, muito também sobre o grau de exigência que essas pessoas põem na figura de primeiro-ministro.
São mesmo as mesmas pessoas que já sufragaram Sá Carneiro e Cavaco Silva?
É isso que eu não consigo entender.